segunda-feira, 22 de setembro de 2014


             O VERSO

Gosto muito de poesia
E faço alguns versos
Mas tenho a mania
De os fazer controversos.

Por isso procuro amigos
Que comigo simpatizem
Dedicando-lhe alguns artigos
Para saber o que eles dizem.

Se eles bem falarem
Eu ficarei satisfeito
Mas se alguma coisa apontarem
Esse será o meu eleito.

É com carinho o que escrevo
E ainda será melhor o meu trato
Assim aqui deixo o meu elevo
E também o meu retrato.
               dcb
                COIMBRA, FUTURA CAPITAL?

     A surpresa foi geral: D. Afonso Henriques fixou-se em Coimbra. Uma sondagem para conhecer a opinião publica sobre o assunto, conduziu aos seguintes resultados:
     O infante afastou-se de Guimarães, para se libertar da pressão da grande nobreza senhorial do Norte Para conduzir melhor a guerra contra os infiéis e ficar mais perto do teatro das operações militares.
     Para fortalecer a ligação do território do sul do Douro: Para ali melhor lutar contra o moçarabismo, que é muito intenso naquela região.
     Para proteger os concelhos do Sul  na luta contra os mouros. Mas ficamos com a impressão de que a maioria considerava positiva esta medida do Infante, porque vai contribuir para uma maior  estabilidade territorial e para uma crescente influência das gentes dos concelhos  (cavaleiros-vilãos e peões), os que combatem a cavalo e os que combatem  a pé.
     Tudo indica que foi um passo decisivo para a unificação dos condados de Portucale  e de Coimbra.
                          DOIS PRIMOS RIVAIS

     Em 26 de Maio de 1135, o Rei de Castela e Leão Afonso VII, foi solenemente coroado imperador, na catedral de Leão, onde compareceram os Reis da Península, só o seu primo Afonso Henriques não esteve presente, esta coroação reveste-se da maior importância política. O monarca submeteu os grandes senhores de Castela. Ocupou várias terras do Reino de Aragão. Obteve vassalagem do Rei de Navarra, dos condes de Barcelona e dos condes de Tolosa e Montpellier. Consolidou fortemente a sua autoridade.
     Segue-se com a maior atenção a atitude de seu primo Afonso Henriques, que sempre se tem mostrado rebelde.

domingo, 21 de setembro de 2014

                                                   O NASCIMENTO DE PORTUGAL

     Em 24 de Junho de 1128, obteve-se a confirmação de uma grave crise, que se vinha arrastando há muito tempo. O Infante D. Afonso, filho do conde D. Henrique e de sua mulher Dª. Teresa, que aceitou o apoio dos mais poderosos senhores Portucalenses contra a influência cada vez mais forte do conde Galego Fernão de Trava.
     Sousões, Bragamções, senhores da Maia e de Baião, Gascos, chegaram a acordo para expusar o «galego que queria reinar».
     O Infante afirma que é neto  do «imperador» das Espanhas, tem sangue Real e direito a Governar a terra que «seu padre deixara». A seu ver, a posição de Fernão de Trava no governo é abusiva e deve terminar quanto antes. O galego, como é natural, é de opinião contrária , mas os dois líderes chegaram a acordo no sentido de confiar aos resultados de um grande torneio a decisão do grave  problema político.
     Hoje (dia de S. João Baptista). galegos e portucalenses terçaram armas no campo de S. Mamede, perto de Guimarães.
     Fernão Peres de Trava foi derrotado e Dª. Teresa deixou o governo. O Bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, recebeu com muito desagrado estas notícias, pois que a audácia dos senhores portucalenses compromete as suas ambições de domínio.
     Egas Moniz, seu irmão Emígio. Paio Soares da Maia, Soeiro e Gonçalo Mendes de Sousa, o Arcebispo de Braga, Paio Mendes, Sancho e Afonso Nunes de Barbosa, Godinho Fafes de Lanhoso, Nuno Soares Velho, Paio Ramires Ramirão e muitos outros podem ter escrito a primeira página da História de um Novo Reino Europeu.
     A Condessa Dª. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo do Condado, que ficou agora inteiramente nas mãos  de D. Afonso Henriques e dos seus partidários. A tutela galega foi sacudida e as ambições da Condessa Dª. Teresa de ser senhora de toda a Galiza ficam definitivamente comprometidas.
     Não se confirmou o boato, que chegou a circular, de que a condessa tenha sido aprisionada no Castelo de Lanhoso, mas é certo que perdeu todo o seu antigo valimento político. A vitória  do Infante D. Afonso causou sensação nos meios políticos desta cidade.
     Recorda-se que seu pai, o Conde D. Henrique, neto do Duque de Borgonha, morreu em Astorga no dia 24 de Abril de 1122. Era um homem muito entendido na governação. Pouco antes de falecer mandou chamar o seu filho e disse-lhe:
     «Filho.... sê bom companheiro para os fidalgos e dá-lhes sempre sempre os seus soldos bem contados. E respeita os conselhos e faz que tenham os seus direitos, tanto os grandes como os pequenos.» Assim nasceu o Condado Portucalense.

     Constituído em terras das duas margens do troço terminal do Rio Douro, foi governado por condes hereditários, dependentes dos reis de Leão.
     Em 1095, o Imperador Afonso VI reuniu o Condado Portucalense ao de Coimbra e confiou o respectivo governo a sua filha ilegítima Dª. Teresa e a seu marido, D. Henrique de Bergonha. É esse território que agora fica sob a autoridade de D. Afonso Henriques.
     O nome do Condado vem do topónimo  Portucale, com o qual desde o século IX se designou uma cidade situada  próximo da foz do Douro, no ponto onde se cruzam a estrada de Mérida e Braga com o caminho natural do Douro, cujo curso era atravessado em barcas.
     Desse Portus Cale  (Porto de Cale) nasceu a palavra «Portugal».
     
   

sábado, 20 de setembro de 2014

               O MEU JARDIM

As flôres do meu jardim,
Que trato com todo o carinho,
Está também lá plantado o Alecrim,
E também lá existe o rosmaninho.

Tenho ainda muitas outras flores,
Entre elas orquidias e outras mais,
São muito queridas e de várias cores,
Que eu não as abandonaria jamais.

Tenho também a rosa de porcelana,
Que na Primavera  estão em flor,
Respira-se o aroma que delas emana,
E cada uma delas é de sua cor.

Existe também no meu jardim,
Muitas árvores de frutos tropicais,
Por isso lhe dedico tempo sem fim,
E se necessário lhe dedicarei muito mais.
                    dcb












                                                              LUÍS VAZ DE CAMÕES

     Poeta Português de ascendência galega, ramificada em Coimbra, Alenquer e outras povoações limítrofes, ignora-se qual a povoação da sua naturalidade. Apenas se sabe que nasceu em 1525,  e tudo indica que tenha estudado em Coimbra, onde era chanceler da Universidade  seu tio D. Bento de Camões, prior do Mosteiro de Santa Cruz, Já em Lisboa conviveu com personagens importantes da corte, pois era cavaleiro-fidalgo da casa Real, tendo sido provavelmente , receptor do filho do Conde de Linhares. Combateu em Ceuta, onde perdeu um dos olhos. 
     Entregue posteriormente a uma vida boémia, numa procissão do Corpo de Deus feriu gravemente em 1552, o funcionário da Corte Gonçalo Borges, sendo por isso preso. Foi depois libertado em 01MAR53, embarcou para a Índia, onde chegou a Goa em 15/09/1553, . Foi soldado nas armadas que patrulhavam as costas de Malabar, mar Vermelho e Golfo Pérsico. Chegou às Molucas em 1555 e em 1557/1558 à China, onde teve o cargo de provedor do defuntos e ausentes. Depois de ter naufragado no Tonquim, regressou a Goa em 1560, onde esteve preso. Ali privou com o Vice-Rei D. Francisco Coutinho, Conde de Redondo, e o cientista Garcia de Horta. De regresso a Portugal, Diogo do Couto encontrou em 1567 em Moçambique tão pobre que vivia da ajuda dos amigos. Chegou a Lisboa em 1569. Publicou em 1572 OS LUSIADAS, concedendo-lhe D. Sebastião uma tença de 15 000 réis em atenção ao poema e aos serviços prestados na Índia. 
     Então ainda em vida, exceptuando a epopeia (escreveu).
    

Alma minha gentil, que te partiste,
Tão cedo, desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E eu viva cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etério onde subiste,
Memória desta vida se consente, 
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te,
Alguma coisa a dor que me ficou,
Da mágoa sem remédio de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo dos meus olhos te levou.
 (lírica - Luís Váz de Camões)      
                                              COMO SE IRÁ PAGAR

A resolução da presente crise , antes do rebentar da bolha financeira. o que , por sua vez, implica a distribuição da riqueza que artificialmente foi criada, mas que foi recebida como real fundamentada num padrão de consumo e de investimento da economia política.
     Mas a verdade é que a riqueza artificialmente criada como fez o BES, transformou-se  num prejuízo concreto que vai contaminar as contas de todos os Bancos Portugueses, e, quem sabe até o Orçamento do Estado, com os consequentes reflexos nos bolsos dos contribuintes a verdade é esta: Nenhum Banqueiro saberá hoje qual será o impacto que terá o Novo Banco na actividade dessas instituições. Não se sabe  se é necessário constituir provisões nos balanços dos Bancos.